As técnicas de Bukidori, nomeadamente Jo Dori e Tachi Dori,
desarmar o bastão do Aiki e desarmar o sabre do Aiki, respectivamente, e apesar
de nos dias de hoje não andarmos com um bastão ou um sabre, são de extrema
importância para a consolidação do sistema do Aikido tradicional, o Takemusu
Aikido.
Quanto mais não fosse pelo facto de a distância – Maai – a que
estamos do atacante, quando o mesmo tem um bokken, ou tachi, ser a mesma que
alguém sem arma precisa transpor para avançar para nós com um soco. No caso do
jo, a distância de defesa é a mesma basicamente que alguém terá de percorrer
para nos desferir um pontapé.
Logo, compreender bem estas duas distâncias habilita-nos
para a defesa de ataques sem armas diferenciados. Este é um aspecto muito
importante.
Por outro ado, a noção de interligação do sistema Aiki, o
qual é complementário, isto é técnicas de armas, Buki Waza, e Taijutsu,
técnicas de defesa sem armas, permite-nos compreender que as posições e estratégias
adoptadas quer no Buki waza puro, quer no Buki Dori, podem ser adaptadas ao Taijutsu,
mantendo a essência do gesto técnico, e nalguns casos mantendo mesmo a
totalidade do gesto técnico.
Quero com isto dizer que se nalguns casos apenas a essência
depurada do gesto técnico usado no Buki Waza ou no Buki Dori ode ser transposta
para o Taijutsu, noutros, e não são poucos, o gesto técnico usado no Buki Waza
e Buki Dori é transportado na íntegra para o Taijutsu.
Esta situação foi uma inovação que o Fundador do Aikido, O’Sensei
Morihei Ueshiba, trouxe para o Aikido. Este grande mestre foi capaz de ir
buscar o melhor de diferentes artes marciais, destilando a essência de cada
uma, e de armas e sistemas diferentes criou um Riai no Budo, uma arte marcial
de integração onde o praticante aprenderá com o tempo a ver que para lá das
centenas de técnicas diferentes, aparentemente, existem princípios comuns que
permitem ao corpo e à mente reconhecer padrões.
Este reconhecimento de padrões de defesa, contra ataque,
técnicas contra técnicas, aplicações e variações é o que permite ao praticante
avançado perceber o Aiki no Riai, o sistema integrado do Aiki. E para isso,
muito contribui a prática do Buki Dori, a qual é a ligação perfeita, usando os
mesmos padrões, entre Taijutsu e Buki Waza.
O Takemusu Aikido só é completo com a prática integrada de Taijutsu,
Buki Dori (Tachi Dori – para o estudo da distância média, Jo Dori – para o
estudo da distância longa e a forma de a encurtar, Tanken Dori – para o estudo
da perigosa distância corpo a corpo) e Buki Waza.
O Próprio Buki Waza permite um sem número de variações
usando as armas ou o Buki dori.
Concluindo, quem pretender praticar e ensinar, ou disser que
o faz, sem incluir Buki Waza e Buki Dori a acompanhar o Taijutsu, é como se
quisesse manter de pé uma mesa de pé de galo (com três pés) e faltar lá um ou
dois pés. Ou seja, é impossível que a mesa esteja completa.
O Fundador foi um sobredotado que nos deixou um dos sistemas
mais completos que existem no mundo das artes marciais, e cabe-nos a nós
perceber o sistema de forma a torna-lo eficaz nas nossas mãos. Se uma técnica
não nos parece eficaz é porque ainda não percebemos como a tornar eficaz. Não
devemos desistir dessa técnica, devemos abraça-la e estudá-la até percebermos
os seus segredos. Não é a Arte que «não presta», o praticante é que se deve
esforçar para alcançar o nível em que a Arte se torne uma segunda pele, e,
dessa forma, naturalmente eficaz.
Estudemos pois sem ilusões o SISTEMA COMPLETO DO AIKIDO:
Aiki Taijutsu, Aiki Ukemi, Aiki Buki Waza e Aiki Buki Dori.