terça-feira, 18 de junho de 2013

Buki Dori

As técnicas de Bukidori, nomeadamente Jo Dori e Tachi Dori, desarmar o bastão do Aiki e desarmar o sabre do Aiki, respectivamente, e apesar de nos dias de hoje não andarmos com um bastão ou um sabre, são de extrema importância para a consolidação do sistema do Aikido tradicional, o Takemusu Aikido.

Quanto mais não fosse pelo facto de a distância – Maai – a que estamos do atacante, quando o mesmo tem um bokken, ou tachi, ser a mesma que alguém sem arma precisa transpor para avançar para nós com um soco. No caso do jo, a distância de defesa é a mesma basicamente que alguém terá de percorrer para nos desferir um pontapé.

Logo, compreender bem estas duas distâncias habilita-nos para a defesa de ataques sem armas diferenciados. Este é um aspecto muito importante.

Por outro ado, a noção de interligação do sistema Aiki, o qual é complementário, isto é técnicas de armas, Buki Waza, e Taijutsu, técnicas de defesa sem armas, permite-nos compreender que as posições e estratégias adoptadas quer no Buki waza puro, quer no Buki Dori, podem ser adaptadas ao Taijutsu, mantendo a essência do gesto técnico, e nalguns casos mantendo mesmo a totalidade do gesto técnico.

Quero com isto dizer que se nalguns casos apenas a essência depurada do gesto técnico usado no Buki Waza ou no Buki Dori ode ser transposta para o Taijutsu, noutros, e não são poucos, o gesto técnico usado no Buki Waza e Buki Dori é transportado na íntegra para o Taijutsu.

Esta situação foi uma inovação que o Fundador do Aikido, O’Sensei Morihei Ueshiba, trouxe para o Aikido. Este grande mestre foi capaz de ir buscar o melhor de diferentes artes marciais, destilando a essência de cada uma, e de armas e sistemas diferentes criou um Riai no Budo, uma arte marcial de integração onde o praticante aprenderá com o tempo a ver que para lá das centenas de técnicas diferentes, aparentemente, existem princípios comuns que permitem ao corpo e à mente reconhecer padrões.

Este reconhecimento de padrões de defesa, contra ataque, técnicas contra técnicas, aplicações e variações é o que permite ao praticante avançado perceber o Aiki no Riai, o sistema integrado do Aiki. E para isso, muito contribui a prática do Buki Dori, a qual é a ligação perfeita, usando os mesmos padrões, entre Taijutsu e Buki Waza.

O Takemusu Aikido só é completo com a prática integrada de Taijutsu, Buki Dori (Tachi Dori – para o estudo da distância média, Jo Dori – para o estudo da distância longa e a forma de a encurtar, Tanken Dori – para o estudo da perigosa distância corpo a corpo) e Buki Waza.

O Próprio Buki Waza permite um sem número de variações usando as armas ou o Buki dori.
Concluindo, quem pretender praticar e ensinar, ou disser que o faz, sem incluir Buki Waza e Buki Dori a acompanhar o Taijutsu, é como se quisesse manter de pé uma mesa de pé de galo (com três pés) e faltar lá um ou dois pés. Ou seja, é impossível que a mesa esteja completa.

O Fundador foi um sobredotado que nos deixou um dos sistemas mais completos que existem no mundo das artes marciais, e cabe-nos a nós perceber o sistema de forma a torna-lo eficaz nas nossas mãos. Se uma técnica não nos parece eficaz é porque ainda não percebemos como a tornar eficaz. Não devemos desistir dessa técnica, devemos abraça-la e estudá-la até percebermos os seus segredos. Não é a Arte que «não presta», o praticante é que se deve esforçar para alcançar o nível em que a Arte se torne uma segunda pele, e, dessa forma, naturalmente eficaz.

Estudemos pois sem ilusões o SISTEMA COMPLETO DO AIKIDO: Aiki Taijutsu, Aiki Ukemi, Aiki Buki Waza e Aiki Buki Dori.

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