quinta-feira, 18 de julho de 2013

Aikido não é apenas o conhecimento formal da técnica

O conhecimento formal da técnica é essencial para o praticante de Aikido iniciante. No entanto, à medida que a compreensão da forma evolui, o praticante deve almejar ir para lá da forma.

Independentemente da «linhagem», quando um mestre atinge este nível para lá da forma, temos de dar a «mão à palmatória» e fazer a nossa vénia, como é o caso com o mestre Seishiro Endo.



Grande ensinamento este que este mestre nos deixa aqui neste vídeo de quase quatro minutos. Qualquer praticante de Aikido deve meditar sobre este ensinamento, mantê-lo em mente e procurá-lo. Nem que demore 30 anos a alcançá-lo....

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Grande Discurso

Grande discurso de Charlie Chalin no filme o Grande Ditador.

Extremamente actual e lúcido. Quem pretenda fazer Aiki, não deve fazê-lo apenas no Tatami, mas também na Vida:



No actual momento da humanidade faz todo o sentido e é um grito de alerta.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Buki Dori

As técnicas de Bukidori, nomeadamente Jo Dori e Tachi Dori, desarmar o bastão do Aiki e desarmar o sabre do Aiki, respectivamente, e apesar de nos dias de hoje não andarmos com um bastão ou um sabre, são de extrema importância para a consolidação do sistema do Aikido tradicional, o Takemusu Aikido.

Quanto mais não fosse pelo facto de a distância – Maai – a que estamos do atacante, quando o mesmo tem um bokken, ou tachi, ser a mesma que alguém sem arma precisa transpor para avançar para nós com um soco. No caso do jo, a distância de defesa é a mesma basicamente que alguém terá de percorrer para nos desferir um pontapé.

Logo, compreender bem estas duas distâncias habilita-nos para a defesa de ataques sem armas diferenciados. Este é um aspecto muito importante.

Por outro ado, a noção de interligação do sistema Aiki, o qual é complementário, isto é técnicas de armas, Buki Waza, e Taijutsu, técnicas de defesa sem armas, permite-nos compreender que as posições e estratégias adoptadas quer no Buki waza puro, quer no Buki Dori, podem ser adaptadas ao Taijutsu, mantendo a essência do gesto técnico, e nalguns casos mantendo mesmo a totalidade do gesto técnico.

Quero com isto dizer que se nalguns casos apenas a essência depurada do gesto técnico usado no Buki Waza ou no Buki Dori ode ser transposta para o Taijutsu, noutros, e não são poucos, o gesto técnico usado no Buki Waza e Buki Dori é transportado na íntegra para o Taijutsu.

Esta situação foi uma inovação que o Fundador do Aikido, O’Sensei Morihei Ueshiba, trouxe para o Aikido. Este grande mestre foi capaz de ir buscar o melhor de diferentes artes marciais, destilando a essência de cada uma, e de armas e sistemas diferentes criou um Riai no Budo, uma arte marcial de integração onde o praticante aprenderá com o tempo a ver que para lá das centenas de técnicas diferentes, aparentemente, existem princípios comuns que permitem ao corpo e à mente reconhecer padrões.

Este reconhecimento de padrões de defesa, contra ataque, técnicas contra técnicas, aplicações e variações é o que permite ao praticante avançado perceber o Aiki no Riai, o sistema integrado do Aiki. E para isso, muito contribui a prática do Buki Dori, a qual é a ligação perfeita, usando os mesmos padrões, entre Taijutsu e Buki Waza.

O Takemusu Aikido só é completo com a prática integrada de Taijutsu, Buki Dori (Tachi Dori – para o estudo da distância média, Jo Dori – para o estudo da distância longa e a forma de a encurtar, Tanken Dori – para o estudo da perigosa distância corpo a corpo) e Buki Waza.

O Próprio Buki Waza permite um sem número de variações usando as armas ou o Buki dori.
Concluindo, quem pretender praticar e ensinar, ou disser que o faz, sem incluir Buki Waza e Buki Dori a acompanhar o Taijutsu, é como se quisesse manter de pé uma mesa de pé de galo (com três pés) e faltar lá um ou dois pés. Ou seja, é impossível que a mesa esteja completa.

O Fundador foi um sobredotado que nos deixou um dos sistemas mais completos que existem no mundo das artes marciais, e cabe-nos a nós perceber o sistema de forma a torna-lo eficaz nas nossas mãos. Se uma técnica não nos parece eficaz é porque ainda não percebemos como a tornar eficaz. Não devemos desistir dessa técnica, devemos abraça-la e estudá-la até percebermos os seus segredos. Não é a Arte que «não presta», o praticante é que se deve esforçar para alcançar o nível em que a Arte se torne uma segunda pele, e, dessa forma, naturalmente eficaz.

Estudemos pois sem ilusões o SISTEMA COMPLETO DO AIKIDO: Aiki Taijutsu, Aiki Ukemi, Aiki Buki Waza e Aiki Buki Dori.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Tanken Dori

Para aqueles que pensam que o Tanken Dori se resume apenas a Kote Gaeshi e a Gokkyo, na realidade as técnicas básicas de desarme de faca, afirmamos que essas duas técnicas, apesar de essenciais, são apenas o começo do caminho.

Na verdade, existem centenas de técnicas de Tanken Dori, ou Tanto Dori. Tudo depende se a arma usada tem lâmina simples ou dupla, se a posição da lâmina no ataque, está virada para a frente ou para trás (no caso de lâmina simples) ou para cima, ou para baixo, consoante o tipo de ataque...

Enfim, existem um conjunto de variáveis a ter em conta no desarme deste tipo de arma. Para ter em conta estas variáveis os olhos do Tori não podem «sair» da lâmina. Em segundo lugar, o Tori não pode parar o seu movimento técnico pois nesse caso irá dar vantagem ao Uke, que se reequilibrará e aproveitará esse momento para contra atacar. Por fim, controlar a mão, ou pulso, do Uke que ataca com a faca, o mais rapidamente possível, e não ser parco na utilização de Atemi, sempre que seja o momento correcto para os usar.

Se em todas as técnicas de Taijutsu é necessário compreender o ritmo das mesmas, pois só assim é possível executar as técnicas de Aikido sem usar força e mantendo as mesmas dentro de um patamar de elevada eficácia, nas técnicas de Tanken Dori, essa compreensão de ritmo atinge um nível mais elevado.

Apesar de nestas circunstâncias a mais perigosa das armas do Uke ser a faca, não podemos descurar todas as outras armas físicas à disposição do parceiro: a segunda mão, cotovelos, joelhos, pés, cabeça, ombros...
Não podemos, acima de tudo, descurar a mente do adversário e a sua vontade de sobreviver a alguém que lhe resistiu e está a tentar tira a arma.

Tendo isto em conta, a nossa vontade de sobrevivência tem de superar todas as características acima referidas, relativamente ao adversário real.

Mas tudo o que foi dito acima não vale nada se o praticante não perceber que numa situação real, existe uma probabilidade extremamente elevada, talvez acima de 95%, de terminar, no mínimo, com um corte e subsequente derramamento de sangue. Logo, sempre que possível, é preferível evitar o confronto com um oponente real armado de faca, excepto se se chegar à conclusão que o adversário pretende mesmo causar dano físico real. Nesse caso, e sempre sem falsas ilusões, compreender como funciona o sistema articular do ser humano permitir-nos-à explorar alguma vantagem, e ter alguma esperança de escapar, se não incólume, pelo menos com vida.

O seguinte link, Sistematização de técnicas de Tanken Dori, dá acesso a um conjunto de técnicas possíveis, as quais devem ser estudadas sob a supervisão de um Sensei qualificado.

Das técnicas apresentadas várias apresentam maior risco do que outras, na sua execução, mas todas podem ser válidas num momento de «aperto». Reforçamos a ideia de que apenas se «sentirem» que o perigo da manutenção da vossa vida é real devem usar as técnicas de defesa contra faca, pois o grande perigo de se estudarem estas técnicas é a falsa segurança que as mesmas nos podem dar, criando a ilusão de que conseguiremos desarmar um adversário real, como se este não fosse resistir.

Nunca devemos esquecer que na segurança do Dojo, todas as técnicas funcionam. Na insegurança da realidade podem funcionar ou não. Com isto em mente, deve ficar ao critério de cada um a utilização, ou não, de tais técnicas.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Página de Videos

Caros amigos, incluímos uma página de vídeos no blog. Para regalo dos nossos olhos e espírito.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Ichi Rei Shinkon Sangen Hachiriki


Aprofundemos um pouco a teologia da Omoto Kyo que influenciou o Fundador do Aikido.

A frase em título, é a máxima da Omoto Kyo:

Um Espírito (o Ser Supremo ou Energia Universal) – Ichi Rei. A Alma Humana é considerada parte do corpo Divino.
Quatro qualidades, ou aspetos – Shi Kon. Atividade, Harmonia, Amor e Sabedoria.
Três estados (de funcionalidade) do corpo divino – San Gen. Solidez, suavidade e fluidez.
Oitos funções do Poder Divino, ou o poder completo de Deus – Hachi Riki. O Poder do Movimento, o Poder da Inactividade  o Poder da Dissolução, o Poder da Coagulação (concentração), o Poder da Tensão (pressão), o Poder do Relaxamento, o Poder da Combinação (Junção) e o poder da Separação (disjunção).

Se analisarmos as técnicas de Aikido legadas por O’Sensei confirmamos que como método de treino são usados os princípios do Kihon (sólido), Awase (flexível) e Ki no nagare (fluido), correspondentes aos três estados. As próprias técnicas estão imbuídas de Acção, Harmonia, Amor e Sabedoria e são executadas de acordo com as energias das oito funções.

Acrescentamos ainda que o próprio Símbolo usado pelo fundador, um triângulo (3 lados – equivale ao San Gen), um quadrado (quatro lados – equivale ao Shi Kon), o Círculo (uma só linha e o simbolo do divino – equivale ao Ichi Rei) e a soma das linhas – oito, equivale ao Hachi Riki)
Vale a pena meditar sobre esta máxima. Deixamos estas ideias, mas mais associações podem ser encontradas.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Doka de O' Sensei - poemas da Via

Koe mo naku
Kokoro no miezu
Kannagara
Kami ni towarete
Nanimono mo nashi.

Nem a Voz
Nem o Coração, precisam de ver:
Simplesmente segue o Divino
E nada precisarás pedir
Aos Deuses.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Benefícios físicos e mentais do Aikido


O Aikido Tradicional – Iwama Style oferece um conjunto de práticas e técnicas que nos permitem entrar em harmonia com os ritmos naturais do Universo. Os movimentos realizados pelo praticante podem ser encontrados na Natureza, nas suas mais variadas formas: fluidez, curvas, ondas, espirais…

Em primeiro lugar, aprendemos a sentir a força da gravidade e a forma como esta actua em todos os nossos movimentos. A prática do Aikido permite descobrir como relaxar o corpo e como concentrar, alinhar e dirigir o peso do corpo para uma zona específica no meio do corpo, o Hara, mais ou menos quatro dedos transversos abaixo do umbigo, a qual é o centro do nosso equilíbrio físico.

Esta aprendizagem é simultaneamente um processo mental e físico de unificação da mente e do corpo. A tensão física origina a tensão mental. Se aprendermos a relaxar o corpo a mente terá espaço para se concentrar. As técnicas de Aikido – as esquivas, as formas de controlo sobre o oponente, as projecções, os movimentos usados no treino com armas – caracterizam-se por posturas corporais relaxadas, mente calma, coordenação da respiração e expansão da energia natural.

A prática do Aikido, ao sublimar as atitudes agressivas, elimina grande parte do stress diário e fortalece o sistema imunitário. A prática das quedas roladas estimula os órgãos internos do corpo humano, revigorando-os. O vasto leque de movimentos usados no Aikido Iwama Style, ou Takemusu Aikido, permite a tonificação geral do corpo, além de ter benefícios aeróbicos e de desenvolver a flexibilidade das articulações, o que segundo a medicina tradicional chinesa é o primeiro passo para a boa circulação da energia no corpo. Desenvolve ainda um certo grau de força muscular e nervosa, ao mesmo tempo que melhora a capacidade de endurance.

A prática do Aikido ensina-nos a usar o corpo de modo mais eficiente, usando menos para ganhar mais. Aprendemos a usar o centro do corpo para gerar energia, a qual fluí pelas articulações relaxadas. Desta forma, usando todo o corpo gera-se mais poder do que usando meia dúzia de músculos. Os benefícios aeróbicos advêm da prática vigorosa. A flexibilidade é desenvolvida pelas próprias técnicas. O uso do poder muscular e nervoso, de contracção e expansão, permite que mesmo uma pessoa mais pequena consiga dominar um indivíduo maior.

            Além destes benefícios físicos a prática do Takemusu Aikido aumenta a autoconfiança, a concentração e auto disciplina  além de melhorar a capacidade de coordenação e equilíbrio, aliados a uma redução do stress.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Do infinitamente pequeno...


 O seguinte excerto do livro «Vida Psíquica: elementos e estruturas», do falecido Mestre de ciência Iniciática, Omraam Mikhael Aivanhov, é elucidativo:

«Convencei-vos de que na nossa Escola [Fraternidade branca Universal] não aprendereis nada a não ser a ciência do insignificante! … Sim, a ciência do infinitamente pequeno, do infinitamente desprezado, rejeitado, desdenhado. Porquê Porque o infinitamente pequeno abrir-vos-á as aportas do infinitamente grande. Por isso, começai pelo domínio dos vossos gestos e sobretudo das vossas mãos. As mãos ficam abandonadas a elas próprias, fora da vossa consciência, e isso é a prova de que a vossa vontade não está sob controlo da vossa inteligência. Pode-se ter uma vontade, pode ser-se activo, mas essa vontade e essa actividade estão fora de controlo. A cada passo encontra-se pessoas muito fortes, diz-se mesmo que são "forças da natureza", mas elas são forças não dominadas e que podem ser muito prejudiciais para a sociedade. Qualquer força deve ser controlada e orientada, a fim de só produzir resultados benéficos.»

Elucidativo, ainda mais se tivermos em conta que o Mestre de Aivanhov, o Mestre Peter Deunov, foi contemporâneo de Onisaburo, o mestre espiritual do Fundador, o qual o considerou um grande mestre espiritual.

As mãos, o centro da acção, não devem ser deixadas ao acaso. O centro da vontade, a mente deve controlar as mãos.

No Aikido devemos ser capazes de controlar os mais pequenos gestos e, assim, controlar a força, e não sermos controlados pela mesma. Devemos meditar nos movimentos das técnicas desenvolvidas pelo Sábio que era Morihei Ueshiba, e tentar perceber as suas implicações no Caminho da Vida.