Para aqueles que pensam que o Tanken Dori se resume apenas a Kote Gaeshi e a Gokkyo, na realidade as técnicas básicas de desarme de faca, afirmamos que essas duas técnicas, apesar de essenciais, são apenas o começo do caminho.
Na verdade, existem centenas de técnicas de Tanken Dori, ou Tanto Dori. Tudo depende se a arma usada tem lâmina simples ou dupla, se a posição da lâmina no ataque, está virada para a frente ou para trás (no caso de lâmina simples) ou para cima, ou para baixo, consoante o tipo de ataque...
Enfim, existem um conjunto de variáveis a ter em conta no desarme deste tipo de arma. Para ter em conta estas variáveis os olhos do Tori não podem «sair» da lâmina. Em segundo lugar, o Tori não pode parar o seu movimento técnico pois nesse caso irá dar vantagem ao Uke, que se reequilibrará e aproveitará esse momento para contra atacar. Por fim, controlar a mão, ou pulso, do Uke que ataca com a faca, o mais rapidamente possível, e não ser parco na utilização de Atemi, sempre que seja o momento correcto para os usar.
Se em todas as técnicas de Taijutsu é necessário compreender o ritmo das mesmas, pois só assim é possível executar as técnicas de Aikido sem usar força e mantendo as mesmas dentro de um patamar de elevada eficácia, nas técnicas de Tanken Dori, essa compreensão de ritmo atinge um nível mais elevado.
Apesar de nestas circunstâncias a mais perigosa das armas do Uke ser a faca, não podemos descurar todas as outras armas físicas à disposição do parceiro: a segunda mão, cotovelos, joelhos, pés, cabeça, ombros...
Não podemos, acima de tudo, descurar a mente do adversário e a sua vontade de sobreviver a alguém que lhe resistiu e está a tentar tira a arma.
Tendo isto em conta, a nossa vontade de sobrevivência tem de superar todas as características acima referidas, relativamente ao adversário real.
Mas tudo o que foi dito acima não vale nada se o praticante não perceber que numa situação real, existe uma probabilidade extremamente elevada, talvez acima de 95%, de terminar, no mínimo, com um corte e subsequente derramamento de sangue. Logo, sempre que possível, é preferível evitar o confronto com um oponente real armado de faca, excepto se se chegar à conclusão que o adversário pretende mesmo causar dano físico real. Nesse caso, e sempre sem falsas ilusões, compreender como funciona o sistema articular do ser humano permitir-nos-à explorar alguma vantagem, e ter alguma esperança de escapar, se não incólume, pelo menos com vida.
O seguinte link, Sistematização de técnicas de Tanken Dori, dá acesso a um conjunto de técnicas possíveis, as quais devem ser estudadas sob a supervisão de um Sensei qualificado.
Das técnicas apresentadas várias apresentam maior risco do que outras, na sua execução, mas todas podem ser válidas num momento de «aperto». Reforçamos a ideia de que apenas se «sentirem» que o perigo da manutenção da vossa vida é real devem usar as técnicas de defesa contra faca, pois o grande perigo de se estudarem estas técnicas é a falsa segurança que as mesmas nos podem dar, criando a ilusão de que conseguiremos desarmar um adversário real, como se este não fosse resistir.
Nunca devemos esquecer que na segurança do Dojo, todas as técnicas funcionam. Na insegurança da realidade podem funcionar ou não. Com isto em mente, deve ficar ao critério de cada um a utilização, ou não, de tais técnicas.
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